Universidade do Nebraska fortalece laços com a comunidade agrícola

Da Assessoria

Brasil – Com o crescimento global na aplicação de Inteligência Artificial (IA) na agricultura, a Universidade do Nebraska, situada em Lincoln, nos Estados Unidos, tem se destacado por suas inovações. A instituição vem desenvolvendo uma variedade de projetos em colaboração com agricultores locais, focando em práticas como agricultura de precisão, automação agrícola e pecuária digital, que facilitam a gestão das atividades rurais.

A delegação do Sistema FAEP teve a oportunidade de visitar essa importante universidade durante uma viagem técnica aos Estados Unidos. O grupo, composto por 40 pessoas incluindo produtores agrícolas, presidentes de sindicatos rurais e técnicos da entidade, pôde explorar detalhadamente as diferentes aplicações práticas da IA nas propriedades.

“A universidade faz a conexão entre ciência e as necessidades reais dos agricultores, utilizando fazendas comerciais como espaços para validação tecnológica e compartilhamento de conhecimento”, afirmou Santosh Pitla, co-diretor do Instituto de Agricultura e Recursos Naturais (IANR) da Universidade do Nebraska.

Ágide Eduardo Meneguette, presidente do Sistema FAEP e membro da delegação, acrescentou: “Esse ecossistema integrado que combina pesquisa aplicada com extensão rural e prática junto aos produtores propicia avanços tecnológicos significativos e resultados favoráveis, promovendo economia no campo. Estamos comprometidos em incentivar a utilização de tecnologia no meio rural paranaense, integrando a Inteligência Artificial na rotina dos agricultores.”

No momento, o IANR conta com 360 extensionistas atuando em 93 condados no estado de Nebraska. A extensão rural serve como um elo vital entre as necessidades dos produtores e o desenvolvimento de pesquisas relevantes. Os agricultores têm um papel ativo na definição dos experimentos e na validação prática das tecnologias em situações reais.

A universidade também investe em agricultura de precisão através de projetos que utilizam drones, satélites e sensores ópticos para o monitoramento remoto das lavouras. Esses dados possibilitam que os pesquisadores identifiquem variações nas áreas cultivadas, recomendem intervenções específicas e melhorem o manejo do nitrogênio em culturas como milho. Experimentos realizados em propriedades comerciais mostraram uma redução média de 20% na aplicação de nitrogênio sem comprometer a produção, aumentando assim a eficiência econômica das atividades agrícolas. Além disso, essas pesquisas ajudam a mitigar problemas ambientais associados à contaminação das águas subterrâneas por nitratos.

Outro projeto inovador utiliza IA para automatizar tarefas agrícolas através de robôs autônomos que realizam pulverização seletiva contra plantas daninhas. Essas máquinas são equipadas com sensores e câmeras para conduzir avaliações fitossanitárias das culturas, identificando problemas estruturais e doenças nas plantas.

No setor pecuário, um projeto similar emprega IA para monitorar animais utilizando tecnologias como radiofrequência, câmeras 3D e modelos de visão computacional. Esse sistema permite detectar precocemente mudanças comportamentais em suínos, acompanhar o consumo alimentar, identificar doenças potenciais e estimar o peso dos animais sem necessidade de manejo físico.

Irrigação Avançada
Durante sua visita ao Nebraska, a delegação também conheceu a Valley Irrigation, uma empresa líder mundial em irrigação mecanizada. Atualmente, cerca de 40% dos pivôs utilizados globalmente pertencem à marca que atua em mais de 100 países ao redor do mundo , incluindo o Brasil onde possui uma fábrica em Uberaba (Minas Gerais) e um centro de distribuição em Ribeirão Preto (São Paulo).

A influência da Valley é notável no ambiente rural: seus 250 mil pivôs – sendo 40 mil no Brasil – cobrem uma área total de 12 milhões de hectares. No contexto da digitalização agrícola, 150 mil dessas máquinas já estão conectadas à nuvem como parte da estratégia corporativa para conectar todos os pivôs à internet visando facilitar o gerenciamento remoto das propriedades.

“Trabalhamos com tecnologias avançadas que permitem controle remoto da irrigação, ajuste na vazão conforme a área cultivada, integração com sensores climáticos e otimização da aplicação conforme as necessidades das culturas”, comentou Darren Siekman, vice-presidente da Valley Irrigation.

Sobre o desempenho no Brasil, Siekman destacou que as propriedades que adotaram essa tecnologia observaram uma diminuição de até 15% no consumo de água e energia além de um aumento na produtividade que pode chegar até 18%.

“Além dos benefícios econômicos diretos, há um incremento produtivo proporcionado pela irrigação que permite realizar até três safras anuais e reduz perdas durante períodos críticos”, concluiu o executivo.

By Cotidiano Curitibano

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