Desembargador João Pedro Gebran Neto estreia na ficção com livros que abordam desde fraudes até lavagem de dinheiro. Lançamento será no dia 15 de junho, na Livraria da Vila, no shopping Pátio Batel, em Curitiba
O Desembargador Federal João Pedro Gebran Neto, do Tribunal Regional Federal da 4.ª Região, lança dois romances simultaneamente pela Editora Appris: “Operação Santa Catarina: o crime compensa?” e “Operação Fênix: o renascimento da justiça?” Os romances exploram fraudes em licitações públicas, corrupção, lavagem de dinheiro e crime organizado no setor público. Gebran Neto tem 37 anos de carreira jurídica — quatro como Promotor de Justiça do Ministério Público do Paraná e 33 como magistrado federal. Foi um dos desembargadores relatores da Operação Lava Jato. O lançamento será a 15 de junho, na Livraria da Vila, no shopping Pátio Batel, às 19h, em Curitiba.
Operação Santa Catarina narra a trajetória da advogada Catarina Bianchi, personagem central da história, especializada em manipular editais de licitação e intermediar o pagamento de propinas entre empreiteiras e agentes públicos no Paraná. A trama acompanha também o crescimento da construtora do engenheiro Maurício Oliveira dentro desse sistema corrompido, e as investigações dos promotores Alberto e Maria Amélia, com apoio do delegado Jorge, todos personagens fictícios. O esquema envolve empresas offshore, doleiros, codinomes e contas em paraísos fiscais na Suíça e no Panamá.
Já Operação Fênix segue na linha de Operação Santa Catarina. Com dois colaboradores assassinados antes de depor, a investigação recomeça a partir de documentos escondidos, gravações e uma testemunha dada como morta. O enredo centra o conflito em dois ex-colegas de faculdade de direito cujas trajetórias seguiram caminhos opostos: o juiz Hermes, íntegro, e o Conselheiro do Tribunal de Contas Wenceslau, corrupto e mandante dos homicídios. O prefácio de Operação Fênix é assinado pelo senador Sérgio Moro, ex-juiz federal da Lava Jato. Na apresentação, Moro afirma que a obra “retém o leitor” e destaca o realismo com que Gebran Neto descreve como as operações policiais se desenvolvem.
Segundo o autor, a experiência acumulada nos tribunais foi determinante para a produção dos livros. “Minha experiência como ex-promotor de justiça e como magistrado federal permitiu-me escrever os romances conhecendo dados da realidade, tanto na perspectiva do funcionamento de investigações e processos judiciais, quanto para descrever condutas ilícitas que li em muitos processos que julguei”, afirma. “Embora os livros sejam ficções, várias das condutas criminosas — como as fraudes em licitações, a atuação cartelizada de empresas de engenharia, o pagamento de propina e a lavagem de dinheiro — são semelhantes às que encontrei nos processos da Lava Jato”, acrescenta o autor.
O gênero thriller jurídico é consolidado nos Estados Unidos — com autores como John Grisham e Scott Turow — mas ainda pouco explorado no Brasil. “Os crimes de fraude a licitações, corrupção e lavagem de dinheiro são comuns nos tribunais, mas ainda não têm maiores repercussões no país. Procurei trazer para os leitores informações sobre mazelas brasileiras da alta criminalidade”, diz Gebran Neto.
Sobre a relação entre ficção e realidade, o autor explica: “As histórias contadas são fictícias, mas os métodos e os fatos não são muito distantes de outros que chegaram a julgamento nos tribunais brasileiros. Trazer essas informações ao público em forma de romance funciona como abrir os olhos da sociedade sobre condutas que ocorrem no submundo do poder.”
Nas obras, os personagens que resistem à corrupção convivem com os que cedem. Para o autor, essa divisão tem raiz nos valores individuais, mas também na estrutura do sistema: “O que mais determina uma maior ou menor intensidade na prática desses crimes é como o sistema de justiça responde quando eles são descobertos. Se há uma forte e rápida resposta à criminalidade, a tendência é que essa diminua. Quando há uma quase certeza de impunidade, a criminalidade em todos os níveis prospera.”
Gebran Neto também aponta a exaustão da opinião pública como parte do problema. “Fazer com que os processos demorem e levar o público à exaustão é uma técnica para que, tempos depois, tudo caia no esquecimento. E outras narrativas — falsas — possam ser contadas. Escrever histórias de crimes praticados por pessoas que possuem elevada posição social é uma forma de combater esses crimes. O problema é o silêncio dos bons”, conclui.
Serviço
Lançamento Operação Santa Catarina: o crime compensa? e Operação Fênix
Data: 15 de junho
Local: Livraria da Vila, Shopping Pátio Batel (Avenida do Batel, nº 1868, Batel, Curitiba – PR)
Horário: 19h
Paulo Queiroz (21) 96736-4634 [email protected] instagram.com/jornalismopauloqueiroz
