Edson José Bandeira Braga Filho reflete sobre o maior empreendimento da vida: não se perder de si mesmo

Para Edson Braga, empreender vai muito além de abrir empresas: significa assumir responsabilidade pela própria trajetória, viver com presença e não adiar decisões que definem quem estamos nos tornando

Quando se fala em empreendedorismo, a imagem mais comum ainda está ligada à criação de empresas, negócios, produtos, investimentos e projetos.

Mas, para Edson José Bandeira Braga Filho, também conhecido como Edson Braga, o conceito pode ser muito mais amplo.

Todos, de alguma maneira, empreendem.

Alguns constroem empresas.

Outros constroem famílias.

Há quem empreenda um casamento, uma carreira, uma rotina, uma mente, um corpo, uma fé ou uma história inteira.

Nesse sentido, o verdadeiro diferencial não estaria necessariamente naquilo que se constrói.

Estaria na maneira como se vive durante a construção.

E talvez exista um empreendimento anterior a todos os outros:

a própria vida.

O maior negócio talvez não seja abrir uma empresa

Construir uma organização pode exigir coragem, planejamento, disciplina e capacidade para lidar com incerteza.

Mas Edson Braga propõe uma reflexão ainda mais profunda.

É possível construir algo grande externamente e, durante o processo, afastar-se de si mesmo.

Ganhar mercado.

Aumentar faturamento.

Acumular patrimônio.

Assumir responsabilidades.

E ainda assim perceber que a vida passou a ser conduzida apenas por demandas, expectativas e urgências.

Para Edson José Bandeira Braga Filho, o maior desafio talvez seja justamente continuar reconhecendo a própria identidade enquanto tudo ao redor cresce.

Todo mundo empreende alguma coisa

Empreendedorismo, nessa perspectiva, deixa de ser apenas uma atividade econômica.

Criar uma família exige decisões.

Cuidar da saúde exige disciplina.

Construir um relacionamento exige presença.

Desenvolver a fé exige compromisso.

Organizar a própria vida exige responsabilidade.

Para Edson Braga, todos participam de algum tipo de construção.

A diferença está no grau de consciência com que essa construção acontece.

O risco é viver apenas reagindo

Uma das armadilhas da vida moderna está na reação permanente.

Responder mensagens.

Resolver problemas.

Atender demandas.

Cumprir compromissos.

Apagar incêndios.

Dias inteiros podem passar dessa maneira.

A pessoa continua funcionando.

Mas talvez já não esteja conduzindo.

Para Edson José Bandeira Braga Filho, existe uma diferença importante entre participar ativamente da própria história e apenas reagir ao que acontece.

O mundo ensina pressa

Existe uma linguagem comum em períodos de desconforto.

“Depois eu resolvo.”

“Agora não é hora.”

“Vai empurrando.”

“Quando as coisas melhorarem, eu penso nisso.”

Essas frases podem parecer práticas.

Mas Edson Braga observa que determinados adiamentos possuem custo.

Uma conversa importante permanece sem acontecer.

Uma decisão necessária continua sendo empurrada.

Uma mudança evidente nunca começa.

Enquanto isso, o tempo segue.

A alma não entende o idioma do depois

Essa é uma das imagens centrais da reflexão de Edson José Bandeira Braga Filho.

Existem questões que podem esperar.

Outras começam a produzir desconforto justamente porque já ultrapassaram o tempo da postergação.

A pessoa sabe.

Percebe.

Sente.

Mas continua adiando.

Para Edson, talvez seja nesse ponto que o cansaço interno apareça.

Não necessariamente porque exista trabalho demais.

Mas porque existe distância demais entre aquilo que se sabe e aquilo que se vive.

Presença é diferente de ocupação

Uma pessoa pode estar extremamente ocupada e pouco presente.

Faz muitas coisas.

Entrega.

Produz.

Mas raramente para para perceber como está vivendo.

Para Edson Braga, presença significa conseguir observar a própria trajetória enquanto ela acontece.

Estou escolhendo?

Ou apenas respondendo?

Esse caminho ainda faz sentido?

Minha rotina representa aquilo que considero importante?

Verdade também exige responsabilidade

É relativamente fácil perceber aquilo que precisa mudar.

Mais difícil é assumir o custo da mudança.

Para Edson José Bandeira Braga Filho, reconhecer uma verdade cria responsabilidade.

Se uma relação está desalinhada, alguma conversa pode precisar acontecer.

Se determinado projeto perdeu sentido, talvez seja necessário revê-lo.

Se a forma de viver está produzindo desgaste contínuo, alguma decisão terá de ser tomada.

A consciência retira algumas desculpas.

Adiar também é uma escolha

Muitas vezes, a pessoa acredita que ainda não decidiu.

Mas Edson Braga chama atenção para outro ponto.

Não decidir também produz consequências.

Manter uma situação como está é, na prática, permitir sua continuidade.

Isso vale para negócios.

Relacionamentos.

Hábitos.

Projetos.

Por isso, a ausência de decisão não significa necessariamente ausência de escolha.

Quando você adia, sua vida perde o timing

No mundo empresarial, fala-se constantemente em timing.

Momento certo de lançar.

Investir.

Comprar.

Vender.

Expandir.

Mas Edson José Bandeira Braga Filho considera que existe também um timing pessoal.

Há conversas que precisam acontecer antes que uma relação se desgaste completamente.

Há mudanças que precisam começar antes que o cansaço se transforme em indiferença.

Há decisões que perdem valor quando são adiadas indefinidamente.

Protagonismo começa pela pergunta

Para Edson Braga, empreender a própria vida começa com perguntas desconfortáveis.

Estou vivendo como protagonista ou apenas reagindo?

Estou construindo algo com sentido ou apenas me mantendo ocupado?

Eu governo minha vida ou permiti que as circunstâncias decidissem tudo?

Não são perguntas para produzir culpa.

São perguntas para produzir consciência.

Estar ocupado não significa estar construindo

Uma rotina pode ser cheia e ainda assim não levar a lugar algum.

Existem atividades que ocupam espaço sem produzir direção.

Reuniões.

Demandas.

Pequenas urgências.

Para Edson José Bandeira Braga Filho, uma das competências mais importantes da maturidade é aprender a separar movimento de progresso.

Nem tudo aquilo que consome energia merece continuar recebendo energia.

Propósito modifica prioridades

Quando alguém sabe aquilo que considera importante, decisões ficam mais claras.

Não necessariamente mais fáceis.

Mas mais coerentes.

Para Edson Braga, propósito funciona como filtro.

Ajuda a decidir o que merece tempo.

Que oportunidade aceitar.

Que limite estabelecer.

Com quem construir.

O que não negociar.

A missão não precisa ser grandiosa aos olhos dos outros

Ao falar em missão, é fácil imaginar algo extraordinário.

Uma grande empresa.

Uma transformação pública.

Uma obra reconhecida.

Mas Edson José Bandeira Braga Filho amplia essa percepção.

A missão pode estar em construir uma família com presença.

Em desenvolver determinada profissão com integridade.

Em cuidar bem de pessoas.

Em deixar uma história coerente.

O tamanho exterior não determina necessariamente o valor interior.

Cada pessoa carrega algo que precisa colocar no mundo

Na reflexão de Edson Braga, existe uma ideia espiritual de que cada ser humano possui uma luz, uma contribuição ou uma forma singular de presença.

Quando essa dimensão é esquecida, a vida pode continuar funcionando.

Mas algo perde significado.

A pessoa alcança resultados.

Cumpre compromissos.

Ainda assim, permanece cansada.

Nem todo cansaço vem do excesso de trabalho

Às vezes, o desgaste pode nascer do desalinhamento.

Trabalhar muito em algo que faz sentido produz um tipo de cansaço.

Trabalhar permanentemente contra aquilo que se acredita produz outro.

Para Edson José Bandeira Braga Filho, talvez algumas pessoas não estejam apenas cansadas porque fazem demais.

Talvez estejam cansadas porque passam tempo demais vivendo longe de si mesmas.

Dar certo por fora não resolve tudo por dentro

Existe uma contradição particularmente difícil.

A vida pode aparentemente dar certo.

O dinheiro entra.

A empresa cresce.

O reconhecimento aparece.

Mas internamente existe vazio.

Edson Braga considera importante não ignorar esse contraste.

Porque prosperidade externa não substitui automaticamente sentido.

A pergunta mais honesta não é apenas “quanto você fatura?”

No empreendedorismo, números são essenciais.

Receita.

Lucro.

Margem.

Valor de mercado.

Mas Edson José Bandeira Braga Filho propõe uma pergunta que dificilmente aparece em um relatório:

“O que você está deixando de viver por estar adiando quem você é?”

A resposta pode ser mais importante do que qualquer indicador financeiro.

Sucesso também pode ser distração

Resultados positivos podem esconder algumas questões por muito tempo.

Enquanto existe crescimento, ninguém sente necessidade de interromper o ritmo.

Mas Edson Braga observa que o sucesso também pode funcionar como distração.

É possível continuar aumentando resultados e adiar indefinidamente uma conversa essencial consigo mesmo.

O que você constrói deveria caber na sua vida

Uma empresa saudável não deveria exigir que tudo o mais desapareça.

Um relacionamento não deveria destruir identidade.

Uma carreira não deveria necessariamente consumir toda possibilidade de presença.

Para Edson José Bandeira Braga Filho, aquilo que construímos deveria encontrar lugar dentro da vida.

Não ocupar toda ela.

Empreender é escolher conscientemente

No sentido mais profundo, empreendedorismo envolve autoria.

Criar.

Assumir risco.

Tomar decisões.

Para Edson Braga, essas mesmas características podem ser aplicadas à existência.

Assumir o próprio caminho.

Reconhecer escolhas.

Parar de viver permanentemente apenas de acordo com expectativas externas.

A vida não pode ser terceirizada

É possível contratar profissionais para administrar empresas.

Delegar tarefas.

Buscar mentores.

Receber conselhos.

Mas ninguém pode viver por outra pessoa.

Ninguém pode assumir completamente as escolhas essenciais.

Para Edson José Bandeira Braga Filho, existe uma responsabilidade que permanece individual:

decidir como viver.

Algumas decisões precisam de coragem, não de mais informação

Em determinados momentos, a pessoa já possui dados suficientes.

Sabe o que precisa fazer.

Mas continua procurando novas justificativas.

Outro conselho.

Outra opinião.

Outro sinal.

Para Edson Braga, isso pode acontecer porque informação é mais confortável do que decisão.

A decisão exige consequência.

A coerência reduz o ruído

Quando existe clareza sobre valores, algumas opções deixam de competir.

Talvez sejam lucrativas.

Convenientes.

Populares.

Mas simplesmente não correspondem ao que se deseja viver.

Para Edson José Bandeira Braga Filho, essa coerência não elimina dificuldades.

Mas reduz a fragmentação.

Empreender também é recusar

O empreendedor costuma ser celebrado pela capacidade de aproveitar oportunidades.

Mas maturidade também aparece naquilo que se recusa.

O projeto que não combina.

A parceria desalinhada.

O dinheiro que exige um custo excessivo.

O ritmo que destrói a vida.

Para Edson Braga, dizer não também é forma de construção.

Viver de verdade exige presença

Talvez a expressão pareça simples.

Mas viver conscientemente exige trabalho.

Perceber.

Escolher.

Revisar.

Admitir quando algo deixou de fazer sentido.

Ter coragem para mudar.

Para Edson José Bandeira Braga Filho, não basta estar vivo e funcionando.

Existe uma diferença entre existir e participar conscientemente da própria trajetória.

Não se perder é também uma forma de sucesso

O mundo mede crescimento em números.

Mas existem indicadores invisíveis.

Paz.

Coerência.

Presença.

Liberdade interior.

Qualidade das relações.

Para Edson Braga, talvez uma vida bem-sucedida precise considerar também esses resultados.

O maior empreendimento é a própria vida

No final, Edson José Bandeira Braga Filho amplia o conceito de empreendedorismo para além das empresas.

Todo ser humano constrói alguma coisa.

Alguns construirão grandes organizações.

Outros construirão famílias, comunidades, carreiras ou histórias discretas.

Mas todos possuem diante de si uma construção que ninguém poderá assumir em seu lugar.

A própria vida.

E talvez a maior medida de sucesso não esteja apenas naquilo que foi construído externamente.

Mas em conseguir atravessar essa construção sem desaparecer dentro dela.

Para Edson Braga, empreender de verdade é assumir protagonismo.

Parar de adiar aquilo que já pede decisão.

Recuperar presença.

Viver com mais verdade.

E lembrar que nenhuma grande conquista compensa completamente uma vida construída longe de quem se é.

Talvez por isso a provocação final seja tão simples quanto desconfortável:

o que estamos deixando de viver enquanto adiamos a pessoa que já sabemos que precisamos ser?

By Cotidiano Curitibano

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