Por meio da Assessoria
Paraná – O estado do Paraná voltou a se destacar no cenário nacional no que diz respeito à produção e exportação de carne de peru. Após um período de declínio e fechamento de frigoríficos que desmantelaram a cadeia produtiva local, os dados recentes do Departamento de Economia Rural (Deral), vinculado à Secretaria Estadual de Agricultura (Seab), indicam uma recuperação significativa da atividade nos últimos anos.
Nos primeiros quatro meses deste ano, o Paraná conseguiu exportar 4,7 mil toneladas de carne de peru, representando um aumento de 6,9% em relação ao mesmo intervalo do ano anterior. No contexto nacional, o estado ocupa a terceira posição no ranking, ficando atrás apenas de Santa Catarina e Rio Grande do Sul. No entanto, em termos percentuais, o Paraná foi o estado que mais cresceu entre os principais produtores do Brasil.
A maior evolução ocorreu no aspecto financeiro. A receita cambial registrou um impressionante aumento de 113,1% em comparação ao primeiro quadrimestre do ano passado, alcançando um total de US$ 22,6 milhões. Os principais compradores da carne paranaense foram o México, que adquiriu 2,4 mil toneladas, seguido pelo Chile com mil toneladas e o Peru com 415 toneladas.
“O Paraná já foi líder na produção nacional de perus e um exemplo em exportações dessa proteína. Essa recuperação é crucial para o estado, pois movimenta uma cadeia produtiva significativa, gerando emprego e renda”, enfatiza Ágide Eduardo Meneguette, presidente do Sistema FAEP.
No passado recente, a desestruturação da atividade foi acentuada pelo fechamento de frigoríficos especializados em municípios como Francisco Beltrão e Carambeí. A unidade em Carambeí encerrou as atividades em 2010, enquanto a planta da BRF em Francisco Beltrão fechou suas portas em 2018, impactando ainda mais a cadeia produtiva.
A partir de 2021, houve uma recuperação das operações no Sudoeste paranaense com a habilitação de uma planta frigorífica voltada para exportação ao México, hoje principal comprador da proteína brasileira. Desde então, o estado tem trabalhado na reconstrução gradual da sua cadeia produtiva.
“Embora os números mostrem um novo ciclo para o setor, a verdadeira consolidação dessa retomada ocorrerá quando o crescimento das exportações se traduzir em segurança financeira e estabilidade para os produtores rurais”, declara Meneguette.
Embora a carne de peru tenha uma associação tradicional com as festividades de fim de ano, a produção ocorre durante todo o ano, focando especialmente na fabricação de cortes industrializados como peito de peru.
Desafios persistem para os produtores
Apesar dos indicadores positivos e do avanço nas exportações internacionais, a realidade vivida pelos produtores ainda está distante desse panorama otimista. O aumento das vendas externas não se refletiu diretamente nas finanças dos agricultores integrados à cadeia produtiva.
“Os gastos com produção superam os rendimentos. As despesas continuam elevadas devido à manutenção, energia e outros insumos”, afirma Ivan da Silva, produtor na região de Francisco Beltrão. “Até agora, esse crescimento não se torna visível para nós. A situação é complicada”, lamenta ele.
Ivan ressalta que os avanços econômicos raramente chegam aos municípios interioranos ou às famílias envolvidas na avicultura. “Estamos esperando melhores condições financeiras e um olhar mais atento por parte do governo quanto aos juros e incentivos”, acrescenta Silva.
Apoio técnico é essencial
A situação revela uma realidade comum nos sistemas agroindustriais: enquanto as indústrias ampliam seus mercados e melhoram seu desempenho nas exportações, os produtores enfrentam margens apertadas e dificuldades para equilibrar os custos operacionais. Nesse cenário, o Sistema FAEP incentiva pecuaristas a buscarem apoio técnico e jurídico através da entidade. Embora ainda não exista uma comissão específica dedicada à produção de perus no Paraná, os agricultores podem encaminhar suas demandas pela Comissão Técnica de Avicultura do Sistema FAEP.
“Todas as questões relacionadas aos aspectos econômicos, sanitários e ambientais podem ser levadas à comissão. Em seguida, direcionamos cada caso aos especialistas adequados. É imprescindível que os produtores procurem o Sistema FAEP para que possamos monitorar a realidade no campo e oferecer auxílio técnico diante dos desafios enfrentados”, explica Caroline Pereira da Costa, técnica do Departamento Técnico e Econômico (DTE) da entidade. O contato pode ser feito pelo e-mail [email protected] ou pelo telefone (41) 2169-7922.
A equipe do Sistema FAEP é especializada em ajudar os produtores na análise de contratos e documentos pré-contratuais além de levantamentos sobre custos operacionais. A entidade também oferece suporte em casos de conflitos entre integradoras e agricultores integrados por meio de consultoria jurídica externa.
Nesse contexto desafiador, Caroline destaca a relevância das Comissões para Acompanhamento, Desenvolvimento e Conciliação da Integração (Cadecs), conforme previsto na Lei 13.288/2016 — conhecida como Lei da Integração. Essas estruturas funcionam como grupos paritários entre produtores e empresas integradoras com foco no diálogo transparente sobre remuneração contratual.
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