Assessoria
Paraná – “Para assegurar o futuro das nossas organizações, é fundamental incluir as famílias dos produtores no sistema.” Essa declaração do presidente da FAEP, Ágide Eduardo Meneguette, sintetiza a mensagem central do Encontro Regional de Líderes Rurais, realizado na última quinta-feira (11) em Nova Esperança. Nesta sexta edição, o evento destacou a importância da sucessão familiar, enfatizando a preparação das novas gerações para a continuidade das atividades rurais.
<pSob o lema “Da família, a liderança. Do protagonismo, a força do agro”, o encontro atraiu 284 participantes de 18 sindicatos rurais do Noroeste paranaense, representando cidades como Alto Paraná, Astorga, Colorado, Jandaia do Sul, Loanda, Mandaguaçu, Marialva, Maringá, Nova Esperança, Nova Londrina, Paraíso do Norte, Paranacity, Paranavaí, Querência do Norte, Santa Cruz de Monte Castelo, São João do Caiuá, São Jorge do Ivaí e Terra Rica. Notavelmente, 199 mulheres (70%) estiveram presentes, enquanto 85 homens (30%) participaram. Outra estatística relevante foi que 57 pessoas (20%) estavam participando pela primeira vez deste evento.
No discurso de abertura, Meneguette ressaltou projetos que visam conectar os jovens ao meio rural, como a reabertura de colégios agrícolas nas cidades de Nova Esperança e Colorado. Ele argumentou que preparar sucessores é uma preocupação que transcende as propriedades rurais brasileiras e se tornou uma questão global.
<p“O Sistema FAEP está comprometido com essa causa desde 2016. Há dez anos nós estamos capacitando e promovendo discussões sobre um tema tão essencial para os produtores rurais”, disse ele. Também mencionou o programa Herdeiros do Campo, que oferece suporte às famílias na elaboração de planos de sucessão e na organização da gestão das propriedades.
Nova Esperança como anfitriã
A edição deste ano também marcou a primeira vez que Nova Esperança sediou o evento. Para Pedro Alberton Siqueira, presidente do Sindicato Rural local, receber o encontro simboliza as mudanças significativas vividas pela entidade nos últimos anos.
<p“Três anos e meio atrás nunca imaginaríamos estar aqui hoje celebrando tantas conquistas; o sindicato estava à beira do fechamento. Graças ao trabalho da Comissão de Mulheres e ao projeto Sindicato Protagonista sob a orientação do Sistema FAEP, conseguimos dar um salto enorme”, relata Siqueira.
<pEle ainda enfatizou a influência das mulheres na revitalização da entidade e anunciou a criação da Comissão de Jovens no sindicato. “Sem a dedicação das mulheres, o Sindicato Rural de Nova Esperança não estaria ativo atualmente”, afirmou.
<pO presidente do Núcleo Regional dos Sindicatos Rurais do Norte e Noroeste do Paraná (Nurespar) e também líder do Sindicato Rural de Paranacity, Arnaldo Cortez, corroborou que o fortalecimento da participação feminina e juvenil tem sido uma das maiores evoluções observadas na região nos últimos tempos. “As ações promovidas pelo Sistema FAEP têm ampliado o envolvimento das famílias nas entidades sindicais e estão preparando novas lideranças para garantir o futuro desse setor”, destacou.
Novas gerações requerem novos métodos de sucessão
<pDurante sua apresentação sobre sucessão familiar, Mariely Biff — especialista em governança e negócios familiares no agronegócio — chamou atenção para as transformações no perfil das novas gerações e como isso impacta o planejamento nas propriedades rurais. Ela observou que os jovens atuais experimentam uma realidade muito distinta da vivida pelos pais e avós: com mais opções profissionais disponíveis, maior duração dos estudos e expectativa de vida crescente.
<p“Pesquisas indicam que a adolescência se estende até os 32 anos e a expectativa de vida pode chegar perto dos 100 anos nas próximas décadas. Essa nova realidade leva as famílias rurais a reconsiderarem suas abordagens na formação dos futuros sucessores”, esclareceu Mariely.
<pEla também alertou que muitos desafios à continuidade dos negócios rurais frequentemente surgem dentro das próprias dinâmicas familiares. Portanto, defendeu que questões como remuneração justa, responsabilidades compartilhadas e expectativas profissionais devem ser discutidas abertamente entre as diferentes gerações.
<p“A sucessão não é um evento que se inicia com a aposentadoria dos pais; ela começa na infância quando as crianças se envolvem nas atividades da propriedade e compreendem como funciona o negócio familiar”, avaliou.
O papel ativo dos jovens
<pEntre os presentes estava Giovana Ramos Lanziani, estudante de Medicina Veterinária e Zootecnia. Ela trouxe um relato que ilustra bem os desafios abordados ao longo do encontro. Giovana faz parte da primeira Comissão de Jovens criada no Paraná pelo Sistema FAEP em Maringá em 2024 e atualmente trabalha com reprodução animal após ter participado de cursos oferecidos pela entidade.
<pJunto à sua mãe Clarisneide Maria Ramos Lanziani, Giovana destacou a relevância de discutir questões sobre sucessão familiar antes que os laços com as propriedades rurais se desfaçam. “Atualmente notamos um afastamento crescente dos filhos em relação às propriedades rurais; muitos vão estudar ou optam por outras carreiras nas grandes cidades. Nós jovens somos essenciais para o futuro do agronegócio. É vital compreender que sucessão vai além de herdar uma propriedade; ser sucessor implica em responsabilidade”, enfatizou.
Avanços no projeto Sindicato Protagonista
<pO encontro também deu início à terceira edição do projeto Sindicato Protagonista — criado pela Comissão Estadual de Mulheres da FAEP para fortalecer os sindicatos rurais paranaenses.
<pEntre as novidades desta fase estão o aumento na bonificação financeira — agora passando de R$ 5 mil para R$ 7 mil — além da inclusão de quatro novos indicadores de desempenho e uma obrigatoriedade quanto à pontuação no Planejamento Estratégico de Mobilização (PEM). Os sindicatos interessados podem se inscrever até 17 de julho; detalhes sobre regulamento estão disponíveis para consulta.
<pLisiane Rocha Czech, coordenadora da Comissão Estadual de Mulheres da FAEP e presidente do Sindicato Rural de Teixeira Soares apresentou os resultados obtidos pelo programa. Conforme ela relatou, houve um quase dobrar no número feminino em posições diretivas nos sindicatos rurais nos últimos anos — saltando de 139 para quase 300 participantes.
<p“No início nossa proposta era mobilizar as mulheres; agora percebemos também a necessidade de incluir jovens e suas famílias nesse processo. Por isso nossa missão este ano é integrar toda a família ao Sindicato Rural”, declarou Lisiane.
Próximos passos
<pApós passagens por Pato Branco (Sudoeste), Toledo (Oeste), Campo Mourão (Centro-Oeste), Mariluz e Nova Esperança (ambos no Noroeste), o Encontro Regional de Líderes Rurais seguirá para Arapoti (Campos Gerais) no dia 16 de junho; Cornélio Procópio (Norte Pioneiro) no dia 17; e Londrina (Norte) no dia 18. Em julho haverá eventos em Guarapuava (Centro) no dia 7; Bituruna (Centro-Sul) no dia 8; e Lapa (Região Metropolitana de Curitiba) no dia 9.
