Soja em alta: Paraná vê crescimento na balança comercial nos primeiros quatro meses do ano

Paraná – O desempenho da soja no Paraná foi destacado no Boletim Conjuntural do Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento (Seab), publicado nesta quinta-feira, dia 21. O produto se reafirma como a principal cultura agrícola do estado.

Segundo o relatório, o primeiro quadrimestre de 2026 apresentou um excelente desempenho comercial para a soja. O complexo soja, que inclui grão, farelo e óleo, teve exportações superiores a 5,3 milhões de toneladas pelo Paraná durante este período, refletindo um aumento de 3,2% em comparação ao mesmo período do ano anterior.

Esse crescimento nas exportações proporcionou ao Estado um faturamento de US$ 2,3 bilhões na balança comercial, representando um expressivo aumento de 10,6% em relação ao ano passado. A China foi responsável por absorver 59% das exportações totais do Paraná. O Irã ficou em segundo lugar entre os compradores, com participação de 6%, seguido pelo Vietnã com 5%. Nos primeiros quatro meses de 2026, o Paraná enviou produtos do complexo soja para um total de 43 países, mesmo que em volumes reduzidos.

No geral, as exportações paranaenses atingiram US$ 7,54 bilhões até agora em 2026, consolidando-se como o sexto maior volume do Brasil e o mais alto da região Sul.

MILHO – Informações do Deral indicam que a segunda safra de milho requer atenção devido às recentes variações climáticas. O relatório desta semana revelou uma leve deterioração nas condições das lavouras, causada pelas primeiras geadas no estado, que causaram danos pontuais especialmente na região Sul. As áreas consideradas “boas” diminuíram de 84% para 82%, enquanto aquelas em condições regulares subiram para 13%, e as classificadas como “ruins” aumentaram de 4% para 5% da área total.

Embora alguns produtores tenham notado perdas nas lavouras, o analista do Deral Edmar Gervasio ressalta que as condições gerais da produção no estado ainda não sofreram impactos significativos. Isso se deve ao fato de que a maior parte das culturas está concentrada nas regiões Norte e Oeste do Paraná, onde os efeitos das geadas não são tão severos quanto no Sul.

A região Norte abriga aproximadamente 35,7% da área total dedicada às lavouras de milho no estado, equivalendo a mais de um milhão de hectares. No Oeste paranaense estão cerca de 933 mil hectares.

CARNE BOVINA – No segmento da pecuária de corte, as exportações nacionais de carne bovina cresceram 15% nos primeiros quatro meses do ano. Contudo, a oferta interna elevada impactou os preços nos frigoríficos, levando a uma queda média de 2,72% na arroba da carne bovina no Paraná, que foi negociada em média por R$ 343,00. O boletim alerta também sobre os efeitos potenciais do frio nas pastagens e como isso pode afetar os custos para os produtores.

FRANGO – Em abril deste ano, o preço médio pago ao produtor pelo frango vivo foi registrado em R$ 4,62/kg, valor inferior ao custo médio estimado para a produção dessa ave, que é de R$ 4,70/kg. A pressão sobre as finanças dos produtores se deve à recente alta nos preços dos insumos essenciais para alimentação animal; o milho está cotado a R$ 63,58 por saca de 60 kg e o farelo de soja a R$ 1.885,50 por tonelada.

FRUTAS – A acerola se destacou com um Valor Bruto da Produção (VBP) de R$ 13,2 milhões no Paraná. A região de Cianorte se posiciona como o principal polo produtivo dessa fruta no estado, responsável por quase metade (48%) do VBP total relacionado à acerola. A cultura ocupa uma área total de 264 hectares distribuídos por 81 municípios e resulta em uma colheita aproximada de 3,1 mil toneladas; além disso, apresenta forte relevância na agricultura familiar.

A produção paranaense de acerola vem ganhando força no mercado orgânico e na agroindústria voltada à transformação em polpas. Este crescimento é impulsionado por cooperativas e empresas locais que já conseguem acessar mercados internacionais através da intermediação com traders.

By Cotidiano Curitibano

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