Ponta Grossa realiza audiência pública para discutir o traçado do Contorno Norte

Assessoria

Ponta Grossa – “O traçado atualmente sugerido pela concessionária cria uma barreira significativa na zona urbana de Ponta Grossa, o que prejudica o desenvolvimento imobiliário da região.” Essa afirmação do presidente do Secovi-PR, Carlos Ribas Tavarnaro, refletiu o clima da audiência pública realizada na última quarta-feira (15), na sede da OAB de Ponta Grossa, onde foi discutido o novo Contorno Norte da cidade.

O evento contou com a presença de representantes da Assembleia Legislativa do Paraná, das prefeituras de Ponta Grossa e Castro, além de membros da Câmara Municipal de Ponta Grossa e diversas entidades, como ACIPG, Conselho de Desenvolvimento Econômico, Sindicato Rural e OAB. Em pauta estavam duas propostas diferentes: uma elaborada pela Motiva Paraná, concessionária responsável pela obra, e outra apresentada por organizações da sociedade civil.

Geraldo Slob, presidente da Cooperativa Frísia, enfatizou a importância de uma discussão responsável em prol do futuro. “É essencial que essa conversa aconteça agora para que não tenhamos que revisitar esse tema em 20 anos. Precisamos decidir com foco no crescimento urbano e industrial e nas necessidades da população”, destacou. O produtor rural Edilson Gorte também expressou sua preocupação com os efeitos diretos sobre a área. “A proposta atual pode fragmentar a cidade e limitar seu crescimento devido à barreira da Escarpa Devoniana. Há loteamentos que podem ficar isolados em relação aos moradores do outro lado da rodovia”, alertou.

A deputada estadual Mabel Canto ressaltou a necessidade de equilibrar urgência e planejamento. “Reconhecemos a importância dessa obra devido aos acidentes frequentes nas rodovias, mas é fundamental ouvir a comunidade para garantir que o traçado seja o mais adequado possível”, afirmou.

Durante a apresentação técnica do Conselho de Desenvolvimento Econômico, conduzida por Ricardo Pimenta da Silva, diretor comunitário e governamental da ACIPG, foram apresentados detalhes sobre o traçado sugerido pela concessionária. Este passaria pela área dos motéis, próximo à malha urbana, algo considerado pelas entidades como um fator que poderia “estrangular” o crescimento de Ponta Grossa. Em contrapartida, a alternativa proposta pela sociedade civil posicionaria o contorno mais ao norte, evitando a fragmentação de áreas em expansão e respeitando o planejamento urbano a longo prazo.

O projeto prevê um percurso aproximado de 42 quilômetros em pista dupla e inclui várias obras de engenharia. A nova rodovia deverá contornar a Escarpa Devoniana sem invadir áreas protegidas ambientalmente. Caso o cronograma se mantenha conforme planejado, as obras têm previsão para começar no ano que vem e devem ser finalizadas até 2032, com um investimento estimado superior a R$ 1 bilhão.

As divergências entre lideranças políticas também foram evidentes durante o debate. O ex-prefeito e ex-deputado estadual Péricles de Melo defendeu um traçado mais próximo da cidade em formato anelar. “Um projeto mais integrado à Ponta Grossa reduz os custos urbanísticos e melhora a mobilidade interna”, argumentou ele. Por outro lado, Otto Cunha, ex-prefeito e ex-deputado federal, apresentou uma perspectiva diferente: “Na minha opinião, o contorno sugerido pelo Conselho de Desenvolvimento Econômico juntamente com outras instituições é superior porque permitirá um crescimento efetivo do município. Se optarmos por um traçado muito próximo à cidade, ele rapidamente se tornará parte da área urbana original e perderá sua finalidade.”

Apesar das opiniões divergentes, houve uma tendência favorável ao traçado mais ao norte defendido pelas entidades civis organizadas por não dividir a cidade e permitir um crescimento ordenado. O deputado estadual Marcelo Rangel indicou um avanço após a audiência: “O deputado federal Sandro Alex e o secretário Fernando Furiatti mostraram-se abertos à análise desse traçado defendido pelas entidades junto ao Governo do Estado. Isso representa um resultado muito positivo”, avaliou.

Na avaliação das instituições presentes, Mariantonieta Pailo Ferraz, presidente da OAB Ponta Grossa, enfatizou a relevância do debate plural. “A audiência cumpriu seu papel ao ouvir diversos setores envolvidos e aprofundar as análises técnicas, econômicas e sociais do projeto.” Priscila Garbelini Jaronski, presidente do Conselho de Desenvolvimento Econômico também elogiou o engajamento comunitário: “A participação foi além das expectativas; agora vamos consolidar todas as contribuições em um documento que será enviado à concessionária”, informou.

Após encerramento da audiência pública, Leonardo Puppi Bernardi, presidente da Associação Comercial Industrial e Empresarial de Ponta Grossa (ACIPG), reiterou a necessidade da escuta coletiva: “Um bom projeto não pode ser elaborado sem levar em conta todos os setores envolvidos. Esse tipo de debate é crucial para assegurar que o contorno seja implementado corretamente para melhorar a mobilidade e salvar vidas”, concluiu.

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By Cotidiano Curitibano

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