Por AEN
Paraná – O estado do Paraná celebra a Semana dos Orgânicos, que ocorre nacionalmente entre os dias 24 e 29 de maio, com um investimento inédito de R$ 54 milhões destinado à aquisição de alimentos orgânicos para a merenda escolar da rede pública em 2025. Essa quantia, proveniente do Governo do Estado e gerida pelo Instituto Paranaense de Desenvolvimento Educacional (Fundepar), entidade ligada à Secretaria de Estado da Educação (Seed-PR), representa o maior montante já registrado na história da alimentação orgânica nas escolas paranaenses, acompanhando o aumento da disponibilidade desses produtos nas instituições educacionais locais.
A inclusão de alimentos orgânicos na merenda escolar estadual começou em 2011, e desde então, sua presença tem aumentado constantemente. Naquele ano, apenas 29 municípios recebiam esses produtos nas escolas estaduais. Em 2026, esse número saltou para 311 cidades, resultando em um crescimento quase onze vezes maior ao longo de 15 anos.
Atualmente, a rede estadual atende cerca de 1,2 milhão de alunos diariamente, oferecendo aproximadamente 1,5 milhão de refeições.
O secretário estadual da Educação, Roni Miranda, destaca que o avanço dos alimentos orgânicos nas escolas é fruto de uma política pública consolidada no Paraná. “Além de garantir alimentos mais saudáveis para nossos estudantes, essa iniciativa valoriza a agricultura familiar e fortalece a economia local”, ressalta.
Crescimento Acelerado
A análise dos últimos oito anos revela um crescimento notável na adoção de produtos orgânicos na alimentação escolar do Paraná, tanto em termos financeiros quanto na quantidade de alimentos fornecidos. O investimento aumentou significativamente de R$ 7,5 milhões em 2019 para R$ 54 milhões em 2025, atingindo o maior nível histórico. No mesmo período, a quantidade de alimentos entregues cresceu de 1.510 para 5.500 toneladas, representando um aumento impressionante de 264% em sete anos.
Nos primeiros cinco meses de 2026, já foram contabilizados R$ 23,2 milhões em investimentos e a distribuição de 2.220 toneladas de produtos orgânicos às escolas estaduais, mantendo o ritmo acelerado dessa expansão.
Cardápio Escolar
A ampliação da oferta de alimentos orgânicos está inserida na política alimentar coordenada pelo Fundepar, que gerencia a merenda escolar na rede estadual. Os cardápios são elaborados por nutricionistas e priorizam frutas frescas, verduras e legumes, respeitando as preferências alimentares regionais.
No Colégio Estadual Cívico-Militar Professor Vicente de Carli em Francisco Beltrão, Sudoeste do estado, o merendeiro Evandro dos Santos comenta que a introdução dos produtos orgânicos melhorou a aceitação das refeições pelos alunos. “As frutas e verduras estão mais frescas e isso faz com que eles consumam mais. A poncã, alface e repolho têm alta demanda”, afirma.
A diretora-presidente do Fundepar, Eliane Teruel Carmona, enfatiza que a inclusão crescente dos alimentos orgânicos melhora não apenas a qualidade nutricional da alimentação escolar mas também proporciona aos alunos refeições mais variadas e saudáveis. “Isso contribui para criar um ambiente propício ao aprendizado nas escolas”, conclui.
Paraná na Vanguarda
Informações do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) colocam o Paraná como líder nacional em certificações orgânicas com um total de 4.289 registros ativos — representando quase 19% do total das certificações válidas no Brasil. Esse número é aproximadamente 36% superior ao do segundo colocado, o Rio Grande do Sul, que possui 3.161 certificações.
Dentre os municípios paranaenses com maior número de produtores orgânicos certificados estão Tijucas do Sul (239 certificações), Lapa (170) e Rio Branco do Sul (110), todos localizados na Região Metropolitana de Curitiba.
Cerca de dois mil agricultores certificados fornecem produtos orgânicos para as aproximadamente 2.080 escolas estaduais. Entre os itens mais distribuídos estão banana, laranja, alface e arroz polido orgânico. A banana se destaca com mais de 1.300 toneladas entregues às escolas estaduais, seguida pela laranja (401 toneladas), alface (274 toneladas), pão caseiro (260 toneladas) e arroz polido orgânico (250 toneladas).
Pela legislação brasileira vigente, só podem ser considerados orgânicos os produtos processados que contenham ao menos 95% dos ingredientes provenientes da agricultura certificada — como é o caso do pão caseiro.
Evolução da Produção Orgânica
Esse progresso é impulsionado pelo Programa Paraná Mais Orgânico, uma iniciativa desenvolvida em colaboração com universidades estaduais e a Secretaria da Agricultura e do Abastecimento (Seab), além do Instituto de Tecnologia do Paraná (Tecpar).
Atuando em todas as regiões do estado, o programa oferece assistência técnica gratuita aos agricultores familiares durante sua transição para práticas agrícolas orgânicas — processo que pode levar entre 12 a 18 meses dependendo da cultura cultivada. A alimentação escolar integra essa cadeia ao aumentar as compras de produtos certificados oriundos principalmente da produção vegetal como alface e banana.
Certificação e Segurança Alimentar
A presença dos alimentos orgânicos nas escolas também reflete o avanço nos sistemas de certificação e controle sobre a produção sustentável no Paraná. De acordo com as normas brasileiras atuais, os produtos considerados orgânicos são aqueles cultivados sem insumos ou práticas prejudiciais ao meio ambiente ou à saúde humana.
Para serem classificados como tais nas escolas, os alimentos devem possuir uma certificação reconhecida pelo Mapa ou serem produzidos por agricultores familiares associados a sistemas de controle social registrados.
A responsável técnica pelo Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) no Fundepar, Andrea Bruginski destaca que esse modelo vai além da simples eliminação dos agrotóxicos na produção agrícola. “A produção orgânica envolve técnicas que preservam tanto o solo quanto a água e a biodiversidade; além disso amplia a oferta de alimentos seguros e nutritivos para os estudantes”, conclui.
