Da Assessoria
Paraná – Agricultores de morango que recebem suporte da Assistência Técnica e Gerencial (ATeG) do Sistema FAEP, em Campo Largo, na Região Metropolitana de Curitiba (RMC), estão prestes a conquistar o selo de Boas Práticas concedido pela Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar). Até o momento, nenhuma propriedade no município obteve essa certificação, mas com menos de 10 meses de orientação da ATeG, os produtores estão próximos de alcançar esse importante reconhecimento.
A ATeG iniciou suas atividades em Campo Largo em setembro do ano passado e atualmente atende 26 propriedades dedicadas à olericultura, das quais 15 se especializam na produção de morango. Durante esse período e até setembro de 2027, as propriedades recebem consultoria personalizada e orientações voltadas para aprimorar tanto a produção quanto a gestão.
<p“O vínculo entre a ATeG e o Selo Adapar é fundamental. A ATeG atua como um meio importante para preparar e fortalecer as propriedades, garantindo que atendam aos critérios exigidos pela certificação”, afirma Ágide Eduardo Meneguette, presidente do Sistema FAEP. Ele acrescenta que o selo tem como objetivo reconhecer as propriedades que implementam práticas adequadas relacionadas à rastreabilidade, segurança alimentar, sustentabilidade, organização produtiva e conformidade técnica.
Caminho para a certificação
Para obter a certificação, é necessário que a produção seja supervisionada por um profissional habilitado; os produtores devem ter participado dos cursos oferecidos pelo Sistema FAEP e pela Adapar; as propriedades precisam estar em conformidade com as normas ambientais; além disso, deve haver monitoramento seguro de pragas e doenças por meio de controle biológico. Durante a colheita, é essencial realizar análises dos produtos para garantir que não haja resíduos de agrotóxicos acima dos limites permitidos pela legislação.
<p“A atuação dos técnicos da ATeG é crucial para divulgar a certificação e ampliar seu alcance entre os agricultores do Estado em diversas culturas”, observa Aislan Macedo, fiscal da Defesa Agropecuária da Adapar. “Estamos registrando até 30% de aumento no valor do produto com o selo. Essa certificação abre portas para os produtores acessarem novos mercados diferenciados”, complementa.
<pSobre o treinamento promovido pelo Sistema FAEP, Homero Amaral Júnior, engenheiro agrônomo da Secretaria Municipal de Agricultura e Pecuária de Campo Largo, destaca que esse processo formativo é uma oportunidade valiosa para o município. “Os produtores passaram por capacitações que representam uma mudança significativa na mentalidade deles”, afirma.
<pAo final das formações, Júnior espera que entre seis e nove produtores consigam obter a certificação. “Atualmente, Campo Largo ainda não possui um volume expressivo na produção de morango, mas podemos desenvolver um produto reconhecido pela qualidade e segurança que respeita as boas práticas agrícolas. Isso nos permitirá conquistar mais espaço no mercado”, conclui.
Esforço no campo
Ruy Alberto Frankenberger, técnico do Sistema FAEP responsável pelo desenvolvimento da ATeG em Campo Largo, aponta que os produtores de morango têm origem na agricultura familiar e a maioria (11 dos 15 agricultores) vende diretamente ao consumidor final.
<p“Eles já possuem uma clientela estabelecida e com a certificação poderão aumentar seus preços”, diz Ruy. Ele ressalta que as propriedades já se destacam pela organização, limpeza e manejo adequado das plantas. “Os agricultores demonstram grande cuidado com suas lavouras e estamos comprovando isso pelos resultados obtidos. Nossa meta inicial era colher até um quilo por planta; hoje há áreas colhendo até 1,1 quilo por planta”, relata.
<pA produtora Irene Kmiecik Jarek cultiva cinco mil pés de morango em duas estufas. “Conquistar essa certificação significará uma abertura importante no mercado para nós”, afirma Irene, que completou todos os cursos oferecidos pelo Sistema FAEP relacionados à cultura.
<pPor sua vez, Sidnei Iarek cultiva duas mil plantas em estufas e busca a certificação não apenas para valorizar sua produção, mas também para abrir sua propriedade ao turismo rural com um sistema onde o consumidor possa “colher e pagar” – experiência testada no final do ano passado.
<p“A ATeG nos proporciona oportunidades para explorar novas possibilidades e expandir nossa atuação”, comenta Sidnei. Segundo ele, a certificação servirá como uma confirmação das boas práticas já implementadas em sua produção. “Isso representa uma garantia adicional da qualidade do nosso produto”, finaliza.
ATeG na Cadeia de Olericultura
<pAtualmente no Estado, estão sendo realizadas 41 turmas focadas em olericultura. Na Região Metropolitana de Curitiba, além das 26 propriedades atendidas em Campo Largo, o Sistema FAEP está desenvolvendo turmas com agricultores em São José dos Pinhais (30 produtores), Rio Negro (29) e Mandirituba (26). Na regional Curitiba, quatro turmas piloto já foram concluídas enquanto outras quatro continuam em andamento.
<p“A ATeG é fundamental para transformar as propriedades rurais em atividades cada vez mais organizadas e profissionais. Muitas vezes os produtores possuem vasto conhecimento prático mas necessitam de apoio para estruturar informações, monitorar indicadores, planejar investimentos e tomar decisões embasadas em dados”, explica Meneguette.
<pDurante dois anos de acompanhamento intensivo por parte dos técnicos de campo, é possível observar a evolução das propriedades agrícolas, implementar mudanças gradativas e solidificar resultados sustentáveis.
