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Curitiba – O Paraná experimenta o inverno como a estação mais fria e seca do ano. Contudo, em 2026, as previsões indicam que essa época será marcada por chuvas acima do normal e temperaturas levemente superiores à média histórica. O Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná (Simepar) confirmou essas projeções. O inverno começará às 5h24 do dia 21 de junho no Hemisfério Sul.
A chegada da nova estação coincide com o solstício de inverno, fazendo com que este domingo apresente o dia mais curto e a noite mais longa do ano, devido à inclinação do eixo terrestre em relação ao sol. Historicamente, nas regiões Centro e Norte do estado, a precipitação durante o inverno tende a ser bastante reduzida.
“Durante essa estação, é comum que sistemas de alta pressão relacionados ao avanço de massas de ar frio e seco atuem com frequência, resultando em intervalos prolongados entre as chuvas. A movimentação de sistemas frontais continua sendo a principal causa das precipitações, com os maiores volumes registrados nas áreas Oeste e Sudoeste, enquanto a região Norte recebe as menores quantidades”, esclarece Leonardo Furlan, meteorologista do Simepar.
Conforme Furlan, as massas de ar polar provenientes da Antártica e da porção sul da América do Sul provocam quedas significativas na temperatura e a formação de geadas no Paraná, especialmente nas regiões Sul, Centro-Sul, Sudoeste, Campos Gerais e na Região Metropolitana de Curitiba. No entanto, há também períodos de veranicos em agosto, caracterizados por tempo seco e temperaturas acima do esperado para esta época do ano. Além disso, o inverno apresenta uma frequência elevada de nevoeiros.
Mudanças
No entanto, o inverno de 2026 será afetado por um fenômeno climático significativo. A Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) anunciou na última quinta-feira (11) que as condições associadas ao El Niño já se encontram presentes no Oceano Pacífico equatorial. Este fenômeno está em processo de intensificação e deverá atingir seu pico entre a primavera e o verão de 2026/2027 no Hemisfério Sul.
Os dados divulgados pela NOAA indicam que desde maio a temperatura da superfície do mar já ultrapassa os 0,5°C acima da média e as previsões sugerem que esse aquecimento continuará. Além da camada superficial, os primeiros 200 metros de profundidade também apresentam um aumento nas temperaturas.
A interação entre oceano e atmosfera forma um sistema interligado. Quando os ventos alísios perdem intensidade, as águas quentes do Pacífico se movem em direção à costa oeste da América do Sul. Esse fenômeno altera a circulação atmosférica e modifica os padrões de chuvas e tempestades em diferentes regiões globais.
“No Paraná, o El Niño deverá resultar em maior frequência de chuvas e sistemas frontais, além de reduzir a amplitude térmica; haverá também mais ocorrência de nevoeiros e um número menor de geadas generalizadas”, detalha Leonardo.
Assim sendo, para o inverno de 2026 espera-se que a amplitude térmica diminua durante julho, com uma redução das temperaturas frias ao longo de agosto. As temperaturas deverão ficar ligeiramente acima da média no final da estação em setembro. As chuvas devem superar a média histórica durante todo esse período, aumentando até a chegada da primavera.
Preparação e mitigação de desastres
Visando aprimorar sua capacidade preventiva, o Simepar deu início ao processo para contratar novos meteorologistas. Além disso, estão sendo elaborados editais para os projetos Monitora Paraná e Monitora Litoral, que contemplam a aquisição de radares meteorológicos adicionais e bóias oceanográficas com o suporte do Instituto Água e Terra (IAT). Essas aquisições são supervisionadas pela Secretaria Estadual de Desenvolvimento Sustentável (Sedest).
Os projetos também incluem a concepção e implementação do Sistema de Modelagem Oceanográfica através da compra de uma nova bóia oceanográfica; além disso será implementado um Sistema de Alertas para Desastres (Early Warning System). Esses equipamentos fortalecerão o setor responsável pelo monitoramento dos níveis dos rios e das condições oceanográficas – informações essenciais para auxiliar a Coordenadoria Estadual de Defesa Civil (Cedec) na tomada de decisões diante de situações como enxurradas ou alagamentos.
Diante das previsões climáticas desde março, a Cedec intensificou as orientações aos municípios sobre preparação e mitigação relacionadas a inundações e deslizamentos. Nesse contexto foram realizados dois simulados em Antonina e Morretes no litoral paranaense. Entre as recomendações feitas às prefeituras estão ações como desobstrução das galerias pluviais, desassoreamento dos rios bem como revisões nas áreas críticas e nos abrigos disponíveis.
“Estamos monitorando atentamente a formação deste fenômeno aqui no Paraná. A Defesa Civil está integrando esforços com outras secretarias estaduais e todos os municípios para lidar com possíveis ocorrências relacionadas ao aumento significativo das chuvas. Neste momento não conseguimos prever quais localidades serão mais afetadas; entretanto, é fundamental que áreas com histórico prévio tenham planos robustos para minimizar os impactos sobre suas populações”, enfatiza o coronel Fernando Schunig, coordenador estadual da Defesa Civil.
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