Por AEN
Estado do Paraná – Com mais de 2 milhões de idosos, representando 17,6% da população, o estado do Paraná enfrenta desafios constantes no planejamento e monitoramento da saúde dessa parcela da sociedade. Quedas, apesar de serem incidentes que podem ocorrer em qualquer faixa etária, têm impactos mais graves em pessoas acima dos 60 anos, levando a fraturas, perda de autonomia e complicações sérias. Diante desse cenário, a Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) destaca a importância da conscientização e prevenção de quedas em idosos, ressaltando que a maioria desses acidentes pode ser evitada com medidas simples.
De acordo com dados do Sistema de Informações Hospitalares do SUS (SIH/SUS), o Paraná registrou no ano passado 13.077 internações de idosos decorrentes de quedas, sendo as mulheres mais afetadas, totalizando 8.021 casos, em comparação com 5.056 casos em homens. A gravidade dos acidentes reflete-se no número de óbitos, que aumenta progressivamente com a idade. Em 2020, houve 412 mortes, sendo 226 delas em pessoas com mais de 80 anos, que também concentram a maior incidência de quedas, representando 50% dos casos.
Quedas em idosos raramente ocorrem de forma isolada, muitas vezes relacionadas a um declínio funcional gradual que inclui perda de força muscular, desequilíbrios e uso de vários medicamentos. Fatores ambientais, como tapetes soltos, iluminação inadequada e ausência de barras de apoio, desempenham um papel crucial, especialmente dentro de casa, onde a maioria das quedas ocorre.
O secretário de Estado da Saúde, Beto Preto, enfatiza que as quedas não devem ser tratadas como acidentes isolados, mas sim como eventos frequentes e, muitas vezes, evitáveis. Ele destaca a necessidade de uma abordagem coletiva para lidar com o problema. “É uma questão de saúde pública com impacto direto na qualidade de vida, independência e carga dos serviços de saúde. A prevenção de quedas é um cuidado que envolve toda a sociedade, incluindo familiares, cuidadores, profissionais de saúde, gestores públicos e os próprios idosos. Todos têm um papel importante na promoção de um envelhecimento mais seguro e saudável”, afirmou.
Hospital do Trabalhador como referência
O Hospital do Trabalhador (HT), em Curitiba, é referência no atendimento a traumas no Paraná e recebe diariamente idosos vítimas de quedas. O hospital possui um protocolo específico para agilizar o atendimento a idosos com fraturas devido a quedas, com objetivo de realizar cirurgias em até 48 horas, o que melhora significativamente a sobrevivência dos pacientes. Situações específicas, como pacientes que fazem uso contínuo de medicamentos como anticoagulantes, podem exigir um maior prazo para realização do procedimento.
Quando um idoso chega ao pronto-socorro do HT com histórico de queda e suspeita de fratura, a equipe realiza uma avaliação rápida, confirma o diagnóstico com raio-X e inicia o processo para agilizar a cirurgia. O paciente passa por avaliações clínica e anestésica, além de exames pré-operatórios, visando a realização da cirurgia no menor tempo possível.
O médico ortopedista e especialista em cirurgia de quadril do HT, Bruno Schuta Bodanese, ressalta que a rapidez no atendimento é crucial para evitar complicações. “Após 48 horas, o risco de mortalidade aumenta. O pós-operatório geralmente é na UTI, devido à idade e gravidade do trauma cirúrgico. No entanto, no dia seguinte à cirurgia, o paciente já consegue sentar, fazer exercícios e caminhar”, explicou.
Uma das vantagens do HT é a integração com o Centro Hospitalar de Reabilitação Ana Carolina Moura Xavier (CHR), parte do Complexo do Hospital do Trabalhador. Todos os pacientes submetidos à cirurgia de quadril são encaminhados para fisioterapia após a alta hospitalar. O tempo de recuperação pode variar, mas em geral dura de três a seis meses, dependendo do estado clínico de cada paciente. “Encaminhamos 100% dos casos para o Centro de Reabilitação. Assim que o paciente recebe alta do Trabalhador, já tem agendada a fisioterapia para uma reabilitação mais adequada e direcionada”, destacou Bodanese.
Osteoporose e o risco de fraturas
Um fator agravante muitas vezes subdiagnosticado é a osteoporose, uma condição que provoca a perda progressiva de massa óssea, tornando os ossos frágeis e suscetíveis a fraturas. Estimativas do Ministério da Saúde indicam que metade das mulheres e 20% dos homens com mais de 50 anos sofrerão uma fratura osteoporótica ao longo da vida. Em idosos com osteoporose, uma queda que poderia resultar em apenas um hematoma pode ocasionar uma fratura grave, como a de fêmur, com altas taxas de mortalidade e perda de independência.
Estratégias de prevenção
As estratégias de prevenção envolvem práticas regulares de exercícios físicos para fortalecer músculos e ossos, além da revisão periódica de medicamentos. Para combater a fragilidade óssea, é recomendado manter uma dieta rica em cálcio e exposição moderada ao sol para produção de vitamina D.
No âmbito do SUS, há disponibilidade de medicamentos para tratamento da osteoporose e acompanhamento nas Unidades Básicas de Saúde (UBS). No Paraná, houve um aumento de 165,54% no número de idosos avaliados pelas equipes de saúde no último ano.
Em casa, adaptar o ambiente com instalação de barras de apoio, melhorar a iluminação e remover obstáculos, tapetes e pantufas escorregadias são medidas recomendadas para prevenir quedas.
Linha de cuidado ao idoso
O esforço para reduzir as quedas é contínuo e envolve a capacitação de profissionais de saúde, campanhas de conscientização e promoção de um envelhecimento ativo e saudável.
Segundo a diretora de Atenção e Vigilância da Sesa, Maria Goretti David Lopes, a capacitação de profissionais e materiais de apoio são fundamentais para orientar famílias, profissionais e cuidadores. “O projeto Envelhecer com Saúde no Paraná guia nossas ações e iniciativas para a população idosa no estado. Mantemos um olhar atento a esse público e buscamos melhorar continuamente nossas políticas públicas para garantir um envelhecimento digno e seguro”, afirmou a diretora.
A Sesa tem investido em políticas robustas, como o projeto Envelhecer com Saúde no Paraná. Uma das principais ferramentas desse projeto é o Manual de Prevenção de Quedas para Idosos, desenvolvido em parceria com a Universidade Federal do Paraná (UFPR). Esse material oferece orientações práticas para adaptar o ambiente doméstico e adotar comportamentos seguros, servindo como guia para idosos, familiares e cuidadores.
